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A luz que nasce nas cores do Advento

Daniela Calças

É verdade que a tradição nos ajuda a viver cada tempo com a intenção certa, e por isso são importantes as cores que se tornam visíveis no Advento. Mas a luz dessas cores só pode brilhar se lhes abrirmos espaço dentro de nós.

Ao pensar no mote que escolhemos para este texto, o mais óbvio é recordar as cores que nos rodeiam neste tempo de Advento: o roxo, cor litúrgica e sinal de penitência, conversão e preparação espiritual, visível nas vestes dos padres e diáconos; o verde, sinal de vida e esperança, presente nas bases das nossas coroas de Advento; o amarelo das chamas das velas, que representam a luz de Cristo que ilumina a terra e que acendemos semana após semana; entre tantas outras cores que reconhecemos facilmente.

Mas, ao criarmos dinâmicas para ajudar as crianças da nossa escola a viver este tempo, e depois de ver o resultado, dei-me conta de que as cores do Advento vão muito para além das tradicionais. No 1.º ciclo, cada criança foi desafiada, ao longo de uma semana, a rezar e a pensar em como se pode preparar para receber Jesus e a dar cor a uma pequena figura que a representasse. Como resultado, surgiram as cores que caracterizam este tempo de espera, mas também muitas outras, levando-me a perceber que a verdadeira luz nasce aqui: no desejo de prepararmos o nosso coração para receber Jesus, cada um com as suas fragilidades e limitações, mas todos com este desejo aceso de viver esta espera de forma generosa e disponível.

É verdade que a tradição nos ajuda a viver cada tempo com a intenção certa, e por isso são importantes as cores que se tornam visíveis no Advento. Mas a luz dessas cores só pode brilhar se lhes abrirmos espaço dentro de nós. Permitam-me um desafio – também para mim: escolham uma cor e deem-lhe forma. Iluminem a vida de quem vos rodeia com um sorriso, uma visita, uma chamada. Assim ajudamos Jesus a nascer na vida de quem está à nossa volta e, ao mesmo tempo, abrimos espaço para que Ele nasça em nós.

Daniela Calças | Pastoral