Reportamos hoje, e mantendo como fonte as abonadas páginas do Boletim Salesiano, a visita que o Ministro da Educação Nacional, no ano de 1957, realizou às instalações da Obra edificada no extremo de Campo de Ourique, desde o ano de 1906.
Linhas convergentes
Por Frederico Pimenta
Releitura dos documentos originais da história dos Salesianos em Portugal. Trabalho ímpar de tantos investigadores, com especial destaque para o Pe. Amador Anjos, historiador, conhecedor profundo e inspirador de dissertações e teses sobre a vida e obra dos Salesianos em Portugal.
1957 – O Professor Leite Pinto visita as Oficinas de S. José
O trabalho desenvolvido pelos Salesianos ao longo de vários anos, e nalguns casos centenário, sempre despertou a curiosidade dos inúmeros visitantes que cruzaram as paredes dos diferentes espaços onde esse labor medrou.
Reportamos hoje, e mantendo como fonte as abonadas páginas do Boletim Salesiano, (1) a visita que o Ministro da Educação Nacional, no ano de 1957, realizou às instalações da Obra edificada no extremo de Campo de Ourique, desde o ano de 1906.
O trabalho desenvolvido pelos Salesianos no campo do desenvolvimento humano e intelectual da juventude atraiu, uma vez mais, um alto responsável do país. A visita decorreu no dia 5 de janeiro de 1957 e demonstrou de novo a qualidade do trabalho pedagógico, tendo subjacente o espírito dos herdeiros do pensamento de D. Bosco.
O convite formulado pela direção das Oficinas de S. José foi aceite pelo responsável governamental, Professor Leite Pinto. Nesta deslocação de alto nível, fez-se acompanhar pelos Drs. José Gomes Branco e Carlos Proença.
Francisco de Paulo Leite Pinto foi marcante Ministro da Educação Nacional do Estado Novo, de 7 de julho de 1955 a 4 de maio de 1961.
Os responsáveis salesianos que acompanharam este momento foram o Pe. Armando da Costa Monteiro e o Pe. Benedito Rodrigues Nunes, o primeiro, Provincial dos Salesianos, e o segundo, Diretor das Oficinas de S. José.
A deambulação pelos diferentes espaços das Oficinas de S. José começou pela oficina de tipografia, “… onde cerca de seis dezenas de alunos trabalham em impressoras e composição manual e mecânica”. (2) Introduziu-se, desta forma, o elenco de profissões que os alunos dispunham para escolha: alfaiate, sapateiro, marceneiro, tipógrafo, encadernador, entalhador e serralheiro. O visitante pôde conversar com os mestres das diferentes oficinas e com os “… discípulos em plena actividade”.
Na sessão solene, criada propositadamente para este momento, discursaram o Provincial dos Salesianos, um representante dos alunos e o Ministro. Este último salientou que “A obra de S. João Bosco, este admirável pedagogo do século passado, é uma obra tão admirável que o Ministro da Educação Nacional não pode deixar de dizer uma palavra de reconhecimento…” Realçou ainda o papel desenvolvido na integração social dos alunos. Por último, expressou a simpatia pessoal pelo projeto salesiano e o trabalho que desenvolvera como professor.
Concluindo esta passagem pelas Oficinas de S. José, foi ofertado ao Ministro um livro, “… biografia de S. João Bosco encadernada por um aprendiz do colégio”.
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- Boletim Salesiano – Órgão da Pia União dos Cooperadores Salesianos e das Obras e Missões de S. João Bosco, Ano XVI, N.º 88, Fevereiro, 1957.
- As citações contidas neste texto reportam-se, na sua totalidade, ao BS indicado na nota anterior.





