Turmas 8.ºD e 8.º E
Cidadania e Desenvolvimento
No dia 5 de março, nós, os alunos das turmas D e E do 8.º ano, partilhámos, na apresentação do Bom Dia, um projeto que nasceu na sala de aula, mas que fala de algo que diz respeito a todos: a forma como vivemos juntos e como construímos a sociedade em que queremos viver. Antes de falarmos sobre Democracia e Instituições Democráticas, começámos por olhar para duas referências que nos ajudam a refletir sobre valores fundamentais. Primeiro, o Sermão da Montanha, onde Jesus apresenta as Bem-aventuranças e nos convida a viver com justiça, misericórdia, humildade e compromisso com os outros. Depois, a vida do santo Pier Giorgio Frassati, um jovem que transformou a sua Fé em ações concretas, defendendo os mais frágeis e participando ativamente na vida social e política do seu tempo. Por fim, partilhámos a nossa experiência com os alunos do 4.º ano do colégio e o percurso que nos levou até lá.
A partir destes exemplos, quisemos mostrar como os valores cristãos — como o respeito, a solidariedade, a justiça e a responsabilidade — estão profundamente ligados à Democracia. Porque a democracia não é apenas votar; é participar, cuidar do bem comum e respeitar a dignidade de cada pessoa.
De facto, há dois mil anos, no Sermão da Montanha, foi-nos lançado um desafio: sermos Sal da terra e Luz do mundo. Mas o que é que o Sermão da Montanha tem a ver com o voto ou com as associações de moradores? Tudo. A metáfora do Sal e da Luz é um apelo à responsabilidade pública. O “Sal” é a nossa participação democrática — aquela que atua na base, protegendo a sociedade da indiferença. A “Luz” é o papel das nossas instituições e da nossa cidadania — que devem iluminar as injustiças e projetar um futuro comum. Ser ”sal e luz”, no século XXI, é exercer a cidadania plena. É compreender que as instituições são o palco onde a nossa luz brilha e a participação democrática é o sal que impede a corrupção do sistema e dá sabor à justiça social.
O nosso projeto, intitulado “Desperta para a Participação”, organizou-se em três partes.
Primeiro, “Eu aprendo”, com a nossa visita à Assembleia da República, onde pudemos conhecer melhor o funcionamento das instituições democráticas e perceber como as decisões que afetam o país são tomadas. Depois, “Eu escuto”, através de uma conversa com o professor Max e com Duarte Freitas do Amaral, antigo aluno, que partilharam connosco experiências e reflexões sobre participação cívica e responsabilidade social. Por fim, “Eu passo a palavra”, uma iniciativa que levámos aos alunos do 4.º ano do colégio, porque acreditamos que a cidadania começa desde cedo e que todos podem aprender a participar.
O nosso objetivo era “Semear hoje a luz de amanhã”. Os jovens são essa “luz” e cada um de nós tem a missão de que esta nunca se apague ou esmoreça. Falar de Democracia e de Instituições Democráticas às crianças e aos jovens é fundamental, uma vez que a escola e o convívio social são os primeiros laboratórios onde elas experimentam a vida em comunidade: a ideia de que as regras existem para proteger todos, de que o diálogo é a ferramenta essencial para resolver conflitos e de que cada voz tem um valor único.
Explicar as instituições como “as casas onde cuidamos do que é de todos” ajuda as crianças a desenvolverem um sentido de pertença e de responsabilidade, transformando o conceito abstrato de cidadania na prática concreta de ser “Sal da terra e Luz do mundo” — quem preserva o bem comum e ilumina soluções para os desafios do seu próprio meio.
Demos início à primeira fase do nosso projeto com a visita àquela que é considerada a “casa da democracia” em Portugal — o local onde são debatidas e aprovadas as leis e onde se tomam decisões fundamentais para a vida de todos os cidadãos. Esta visita à Assembleia da República permitiu-nos passar da teoria à prática, tornando mais real e significativa a aprendizagem sobre participação democrática. A experiência ajudou-nos a compreender melhor a importância da participação ativa na democracia e tornou a aprendizagem mais envolvente e significativa.
No dia 29 de janeiro, tivemos um encontro com duas pessoas muito especiais: o professor Max e o Duarte Freitas do Amaral, um antigo aluno do colégio. O percurso de ambos voltou a cruzar-se, não numa aula, não num jogo do Benfica, mas no Espaço Alfa com cerca de 60 alunos das turmas D e E que tinham preparado um conjunto de questões sobre a democracia e os percursos de vida de cada um deles. Porém, não recebemos apenas respostas… recebemos testemunhos, exemplos, verdadeiras lições de vida. Os nossos convidados falaram sobre democracia, ontem e hoje, participação e cidadania — não como conceitos distantes, mas como realidades vividas.
O Professor Max levou-nos até aos Açores, aos anos em que fez do voluntariado a sua missão. Falou-nos de jovens que, por diferentes razões, não podiam estar com as suas famílias… e de como ele próprio se tornou família para eles. Mostrou-nos que ajudar o outro não é apenas um gesto — é um compromisso. É, talvez, a principal função do ser humano: fazer a diferença na vida de alguém.
O Duarte, como antigo aluno desta casa e neto de uma das figuras maiores da Democracia portuguesa, recordou-nos que a cidadania começa aqui. Nas escolhas que fazemos. Na forma como pensamos. Na coragem de participar. Partilhou connosco o orgulho de ter sido aluno salesiano, os professores que o marcaram, os amigos que o ajudaram a crescer — e lançou-nos um desafio: a democracia daqui a 20 ou 30 anos será aquilo que nós decidirmos que ela seja.
Porque as nossas ações fazem a diferença. Porque devemos fazer as nossas próprias escolhas. Porque não podemos deixar que outros decidam por nós. Porque não devemos acreditar em tudo o que vemos nas redes sociais. Saímos deste encontro mais conscientes, mais atentos, mais responsáveis e mais ricos. Todos nós retivemos ideias importantes deste encontro, muitas, mas, sendo impossível de partilhar tudo o que vivenciámos, decidimos juntar algumas delas e formarmos esta nuvem de palavras: ajuda, participação, responsabilidade, liberdade, cooperação, entreajuda, serviço, diferença.
Agradecemos ao Professor Max e ao Duarte por aquilo que foram, para nós, verdadeiras lições de vida. Hoje, compreendemos melhor que nós somos o futuro da democracia e que o futuro começa agora.
No âmbito da terceira parte do nosso projeto, os alunos da turma E dinamizaram a primeira parte da atividade “Escolher é o teu superpoder”, dirigida às três turmas do 4.º ano da nossa escola. Organizados em três grupos, preparámos e realizámos apresentações dedicadas ao tema da democracia e das instituições democráticas, procurando explicar, de forma clara e acessível, conceitos fundamentais para a formação de cidadãos conscientes e participativos.
Ao longo das sessões, foram abordadas as diferenças entre ditadura e democracia, a história da democracia em Portugal e o significado da Constituição enquanto documento fundamental que organiza o funcionamento do nosso país. Foram ainda apresentadas as principais instituições nacionais — o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais — bem como o funcionamento da democracia local, os diferentes tipos de eleições, a importância do voto e o papel da União Europeia. Os alunos do 4.º ano perceberam também que participar em democracia não acontece apenas no momento de votar. A democracia constrói-se todos os dias, através de pequenas ações: respeitar os outros e as regras, ajudar a comunidade, cuidar do espaço público e manter-se informado sobre o que acontece à nossa volta. A apresentação foi acompanhada por pequenos vídeos ilustrativos, que ajudaram a tornar os conteúdos mais próximos e compreensíveis para os alunos mais novos.
Duas ideias essenciais marcaram toda a atividade: a democracia vive da participação de todos e cada gesto conta para construir uma sociedade mais justa e solidária. O nome da atividade — “Escolher é o teu superpoder” — nasceu precisamente desta ideia: numa Democracia, cada pessoa tem o poder de escolher, participar e contribuir para o futuro da sociedade.
No final de cada sessão, as turmas realizaram uma votação para escolher, de forma democrática, os representantes que participariam num jogo dinamizado pela turma D sobre os temas apresentados. A votação foi levada muito a sério: houve claques, festejos, alguma frustração… e até uma segunda volta eleitoral, mostrando que a democracia também se aprende vivendo-a.
Durante toda a atividade, os alunos do 4.º ano revelaram-se atentos, curiosos e participativos. Muitos mostraram-se surpreendidos e chocados ao compreenderem o que foi uma ditadura e ao perceberem que a liberdade não é um dado adquirido.
Para nós, esta experiência foi igualmente marcante. No início, estávamos nervosos, pois não estamos habituados a assumir o papel de professores. No entanto, rapidamente ganhámos confiança, divertimo-nos e sentimos que o trabalho realizado teve verdadeiro impacto. Destacamos a participação ordeira dos alunos do 4.º ano, o facto de muitos já possuírem conhecimentos sobre o 25 de Abril e a União Europeia e a qualidade das perguntas colocadas, sempre construtivas e curiosas. No final, distribuímos um marcador de livros com a frase “Escolher é o teu superpoder”, que os alunos guardaram nos livros que estavam a ler — um pequeno símbolo de uma grande mensagem. Alguns alunos vieram agradecer-nos pessoalmente, dentro e fora da sala de aula, demonstrando o significado desta experiência para todos os envolvidos. O nosso objetivo foi alcançado: cada aluno compreendeu que a sua participação é importante e que o futuro da democracia está nas nossas mãos. Foi uma experiência gratificante: todos aprenderam, todos participaram e, acima de tudo, todos ganharam.
Após as apresentações realizadas em sala de aula sobre Democracia e Instituições Democráticas, decidimos dinamizar uma atividade lúdica com o objetivo de consolidar e avaliar, de forma dinâmica, os conhecimentos adquiridos pelos alunos.


A turma D organizou uma gincana no pátio do 1.º Ciclo, envolvendo os participantes em diferentes desafios. Antes de iniciarem cada prova, os alunos tinham de responder corretamente a uma pergunta relacionada com os conteúdos trabalhados, o que incentivou a reflexão, o espírito crítico e a aplicação prática do que aprenderam. Esta atividade permitiu unir aprendizagem e diversão, proporcionando momentos de grande entusiasmo, cooperação e partilha, enquanto reforçou a importância de compreender os valores e o funcionamento da democracia.
Deixamos um agradecimento especial às professoras Catarina Miranda, Cláudia Jasmins e Carla Levita, que tão gentilmente abriram as portas das suas salas e abraçaram este projeto com enorme disponibilidade e carinho.
Terminámos a nossa apresentação com a ideia de que a Democracia é, tal como o Sermão da Montanha nos ensina, um compromisso moral. Não basta viver numa democracia; é preciso ser o elemento que a preserva e a força que a ilumina. Quando ensinamos isto aos jovens, estamos a garantir que a luz da justiça nunca se apague. Esta não é apenas um sistema de governo, é o modo como escolhemos ser sal e luz na vida uns dos outros. Por isso, lembramos o nosso lema: “Escolher é o teu superpoder”. Seja para tomar grandes ou pequenas decisões, na vida, são as escolhas que fazemos que nos definem: enquanto filhos, irmãos, amigos ou cidadãos.
Os alunos das turmas do 8.ºD e do 8.ºE





