“LISBOA (Portugal). – As Oficinas de São José”, 1928

Frederico Pimenta

Retomam-se, neste escrito, os primórdios da instituição da Obra Salesiana nos campos do denominado lugar dos Prazeres, “Ao fundo da Travessa dos Prazeres, cêrca do cemitério do mesmo nome (…)”.

Linhas convergentes

Releitura dos documentos originais da história dos Salesianos em Portugal. Trabalho ímpar de tantos investigadores, com especial destaque para o Pe. Amador Anjos, historiador, conhecedor profundo e inspirador de dissertações e teses sobre a vida e obra dos Salesianos em Portugal.

LISBOA (Portugal). – As Oficinas de São José”, 1928

Retomam-se, neste escrito, os primórdios da instituição da Obra Salesiana nos campos do denominado lugar dos Prazeres, “Ao fundo da Travessa dos Prazeres, cêrca do cemitério do mesmo nome (…)”. (1)

Em 1928, no momento cronológico de vinte e dois anos após a construção do edifício, em parte concluída em 1906, o Boletim Salesiano (BS) apresentou um grafado sobre as Oficinas de S. José.

O artigo então publicado no BS (2) transcreveu as reflexões provindas da publicação de A Voz, de Lisboa, em 28 de dezembro de 1927.

Recordam-se, desta forma, as etapas abertas e as personalidades marcantes desde os começos, no relevante percurso da Obra Salesiana: “Era o desdobramento da obra que o Padre Cordeiro tentara numas casas alugadas”. Apela-se, aqui, aos momentos em que os Salesianos ainda não se encontravam em Lisboa, mas o seu ideal já se espraiava através do conhecimento da força do seu legado noutros locais geograficamente distantes e diferentes, onde se tomava consciência que “Educar é preparar o futuro (…)”.

O elenco descrito continua clarejando a dedicação do Padre Cogliolo e enaltecendo e enumerando o seu contributo na criação das estruturas subjacentes ao projeto e a localização, no edifício, das díspares oficinas existentes, até que, “(…) em 1910, uma ordem estupida não mandasse encerrar a obra social que se iniciava”. Recordam-se, assim, as circunstâncias coevas da implantação da república e os árduos momentos vividos.

Constata-se ainda a ocupação do edificado como quartel e a sua reabertura em 1924, “(…) sob a direcção do Rev. Padre Paulo Consolini“, “(…) antecipadamente, uma certeza de triunfo”. Deste último, foram enaltecidas as suas enormes capacidades pedagógicas, artísticas e a experiência vivida, em especial na Casa do Porto.

Nesta visita realizada por A Voz, o Padre Consolini foi acompanhado por constituintes do grupo de senhoras, que, presididas pela Duquesa de Palmela, auxiliavam o projeto Salesiano na urbe lisboeta. Enumeram-se, assim, os nomes de D. Maria Adelaide Diniz de Sampaio e D. Maria Margarida da Costa Pereira.

O Padre Diretor patenteou ainda, neste instante jornalístico, o perfil correto de um bom educador, afirmando: “O educador tem de ser um homem isento de vícios e de más qualidades”.

A importância da benemerência mereceu igualmente destaque como apoio fundamental na concretização do projeto educativo. Nas palavras do Padre Consolini, a grande dificuldade “«É a falta de dinheiro. Tenho com 100 rapazes internos e 200 externos, uma despeza mensal de 200 contos»”.

Através da publicação A Voz, o Padre Paulo Consolini lançou um pedido: “Peça aos portuguezes que nos visitem e nos conheçam”.

(1) Boletim Salesiano, Revista das obras de Dom Bosco, Anno XXV, Número 2, Março-Abril, 1928.

(2) As citações contidas neste texto reportam-se, na sua totalidade, ao BS indicado na nota anterior.

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