Sofia MacVey, 12.ºT1
Concluindo, a obra de Dostoiévski é marcante pela sua dimensão reflexiva e introspetiva. De facto, a atmosfera sombria e enclausurante intensifica a deterioração do protagonista, tornando a experiência de leitura profundamente emocional. Para mais, ao permitir o acesso aos pensamentos mais profundos de Ródion, conduz o leitor à questão do verdadeiro fundamento da moralidade, nomeadamente se o valor de um ato reside na sua utilidade ou na sua conformidade com princípios éticos universais. Por fim, realça incrivelmente a atitude messiânica de Ródion, como forma de fundamentar o seu homicídio, estabelecendo um paralelo com o filme Táxi Driver, em que Travis também estava convicto de ser moralmente superior.
Na obra de Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo, narra-se a história de Ródion Raskolnikov, um estudante pobre que vivia em São Petersburgo, e que, embora acredite ser uma figura acima da lei moral, acaba por assassinar uma velha agiota e a sua irmã. Consequentemente, ao longo do romance, assistimos à deterioração do estado mental do protagonista, marcada pela paranoia, culpa e isolamento. No final, a narrativa culmina com a sua redenção através de Sónia e na sua condenação à Sibéria. Assim, não obstante, ser um livro do século XIX, Crime e Castigo é verdadeiramente sensacional na forma como aborda a moralidade e retrata a decadência da sociedade russa, permanecendo uma obra intemporal.
Primeiramente, é instigante o retrato que se faz do ambiente de São Petersburgo, que espelha perfeitamente o estado psicológico de Ródio: um espaço descrito como opressivo, claustrofóbico e sufocante, marcado pelas ruas estreitas e sujas, o ruído constante, o calor intenso, os apartamentos degradados e as tavernas escuras. A cidade surge, então, como uma extensão do estado mental do protagonista, amplificando a ansiedade e a culpa do mesmo. Por exemplo, o quarto da personagem principal demonstra simbolicamente a sua pressão moral e instabilidade nervosa: é pequeno, abafado, mal ventilado e excessivamente quente. Deste modo, não se pode deixar de destacar o talento do autor ao criar uma atmosfera tão intensamente desconfortável que permite ao leitor sentir este mesmo tormento psicológico.
De seguida, é particularmente interessante a forma como Dostoiévski explora as questões morais ao fazer o leitor imergir nos pensamentos do protagonista e fazendo-nos pensar na seguinte, e atualmente relevante, pergunta: será justificável cometer um crime em nome de um bem maior? Exemplificando, Ródion acreditava que o homicídio da mulher era benéfico para sociedade, sendo, portanto, moralmente aceitável, dado que era uma velha gananciosa, inútil e tirana. Contudo, ao longo da narrativa, é demonstrado genialmente que tais justificações racionais colapsam perante o peso da consciência moral, evidenciado pela autodestruição e deterioração psicológica do protagonista.
Por último, é fascinante como se enfatiza o conceito de complexo de salvador, como forma de justificação para o crime cometido. Na verdade, Ródion acredita, escrevendo mesmo um artigo sobre essa sua perspetiva, que existiam pessoas extraordinárias, que possuíam características únicas e que tinham autoridade moral para transgredir as leis morais em benefício da humanidade. Este sentido de heroísmo distorcido, que se coloca acima da moralidade comum, vê-se também em Táxi Driver de Martin Scorsese, em que Travis, o protagonista, justifica os seus atos violentos, pois acreditava ser o eleito para eliminar a corrupção da cidade de Nova Iorque.
Concluindo, a obra de Dostoiévski é marcante pela sua dimensão reflexiva e introspetiva. De facto, a atmosfera sombria e enclausurante intensifica a deterioração do protagonista, tornando a experiência de leitura profundamente emocional. Para mais, ao permitir o acesso aos pensamentos mais profundos de Ródion, conduz o leitor à questão do verdadeiro fundamento da moralidade, nomeadamente se o valor de um ato reside na sua utilidade ou na sua conformidade com princípios éticos universais. Por fim, realça incrivelmente a atitude messiânica de Ródion, como forma de fundamentar o seu homicídio, estabelecendo um paralelo com o filme Táxi Driver, em que Travis também estava convicto de ser moralmente superior.
Sofia MacVey, 12.ºT1





