1946: “Uma escola admirável de formação moral e profissional”

Frederico Pimenta

Igualmente, o contacto com a imprensa escrita deixou o testemunho da vivência nas Oficinas de S. José. É, pois, uma amostragem da escola “onde milhares de rapazes têem aprendido a ser homens úteis”. “O ex-aluno Luís da Cunha” foi apresentado como consequência primorosa da metodologia salesiana através da descrição: “(…) nosso excelente companheiro nas lides dos jornais e que rende hoje aos padres de Dom Bosco as mais agradecidas homenagens, porque lhes deve a sua formação moral e profissional”.

Linhas convergentes

Releitura dos documentos originais da história dos Salesianos em Portugal. Trabalho ímpar de tantos investigadores, com especial destaque para o Pe. Amador Anjos, historiador, conhecedor profundo e inspirador de dissertações e teses sobre a vida e obra dos Salesianos em Portugal.

1946: “Uma escola admirável de formação moral e profissional”

O Pe. Pedro Ricaldone e o Pe. Hermenegildo Carrá desempenhavam, no momento cronológico acima destacado, importantes funções na Obra Salesiana. O primeiro, como Reitor mor dos Salesianos, e o segundo, exercendo o ministério de Diretor das Oficinas de S. José.

Em Portugal, o Boletim Salesiano (BS) chegava junto dos leitores com o nome de Dom Bosco (DB).

O Pe. Ricaldone contextualizou, na primeira publicação do DB, no ano de 1946, os momentos conturbados desse final da segunda guerra mundial, com os números aterradores das vítimas mortais por ela provocadas, em especial ao que à Obra Salesiana, no âmbito geral, se alude: Salesianos, 324; Filhas de Maria Auxiliadora, 21, perfazendo um total de 345 pessoas. Esta pavorosa síntese estava inclusa na mensagem anual, vulgarmente denominada “estreia”, desse ano: “Pratiquemos a virtude da justiça para com Deus e para com o próximo”.  Igualmente, no mesmo espaço, fez-se alusão às novas fundações das Casas Salesianas no mundo e, em concreto, a Vila do Conde e a Cabo Verde, no que a Portugal concerne.

É nesta conjuntura que o vespertino A Vitória realizou, em Lisboa, uma essencial visita às Oficinas de S. José e elaborou um texto que elucidou os seus leitores e possibilitou a transcrição dessas constatações para as páginas do DB.

É neste périplo proporcionado pelo DB, pelos principais acontecimentos, que olhamos o espaço da Casa Salesiana de Lisboa. Realce, no entanto, para a importância da indexação, feita no jornal A Vitória, de todas as Casas Salesianas existentes naquele momento em Portugal, dando assim a real grandeza e consolidação do ideal fundado por D. Bosco.

Destacamos, hoje, neste escrito, o ano de 1946, e, subjacente, como habitualmente, o DB coevo, evidenciando o mês de janeiro do ano citado anteriormente. Pequenos apontamentos que embrincaram, formando maciça estrutura, que o tempo consolidou. No seu percurso educativo, diversas ocasiões deram ensejo a inúmeras visitas de destacadas personalidades que se abeiraram da prática desenvolvida pelos Salesianos neste canto olisiponense. Igualmente, o contacto com a imprensa escrita deixou o testemunho da vivência nas Oficinas de S. José. É, pois, uma amostragem da escola “onde milhares de rapazes têem aprendido a ser homens úteis”. “O ex-aluno Luís da Cunha” foi apresentado como consequência primorosa da metodologia salesiana através da descrição: “(…) nosso excelente companheiro nas lides dos jornais e que rende hoje aos padres de Dom Bosco as mais agradecidas homenagens, porque lhes deve a sua formação moral e profissional”.

O Diretor das OSJ, Pe. Carrá, ciceroneou uma reportagem jornalística às instalações das OSJ, onde apresentou, igualmente, os números referentes às atividades desenvolvidas nos diferentes espaços da escola. Números com uma dimensão bem diferentes daqueles que ensombravam os territórios padecentes das comensurações belígeras.

Explicou-se a função das OSJ: “As Oficinas de S. José de Lisboa são uma colmeia operosa, viva”. Nela, movimentavam-se 175 alunos internos e 250 alunos externos. “(…) centenas do Oratório Festivo”. Sintetiza-se a ação da Associação Auxiliadora das Oficinas de S. José e o papel dinamizador da Senhora Duquesa de Palmela, no campo da benemerência. O cicerone elucidou sobre a estrutura do ensino ministrado nas OSJ, contemplando os cursos Primário, Técnico Comercial e Industrial. Salientou ainda o facto de os alunos cultivarem “(…) a música vocal e instrumental, a ginástica e a declamação”.

Concluiu esta análise salientando que “Todos os alunos são filiados na Mocidade Portuguesa e têm uma banda que faz sempre boa figura (…)”. No âmbito mais geral, os leitores tomaram conhecimento do bom ambiente vivido entre os alunos e os mestres, bem como alguns melhoramentos conseguidos, tendo como exemplo o pavilhão de marcenaria nomeado Pedro Gomes da Silva, no espaço “(…) onde foi primitivamente a central eléctrica da Casa, primeira instalada em Portugal (…)”.

No último parágrafo desta reportagem, reportou-se a figura do “(…) benemérito escritor Oliveira Martins (…)” e o prémio escolar que recebeu o seu nome.

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  • Dom Bosco – Órgão dos Cooperadores Salesianos em Portugal, Ano V, Número 4, Janeiro, 1946.
  • As citações contidas neste texto reportam-se, na sua totalidade, ao BS indicado na nota anterior.
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