Leonor Fernandes
Pessoas Normais é um romance marcante na literatura contemporânea, destacando-se pela análise sensível das emoções e das relações humanas. Deste modo, a obra de Sally Rooney oferece uma reflexão não só sobre a saúde mental e a pressão social, mas também sobre as inseguranças e as dificuldades de comunicação que Connell e Marianne têm e o modo como estas influenciam a relação deles.
A obra Pessoas Normais, da escritora irlandesa Sally Rooney, publicado em 2018, apresenta-se como um romance contemporâneo centrado na complexidade das relações humanas e acompanha o percurso de duas personagens principais, Marianne Sheridan e Connell Waldron, desde o ensino secundário até à universidade. De facto, estas duas personagens, que têm origens sociais distintas, são completamente diferentes: Connell é popular entre os colegas, embora tenha dificuldades económicas; enquanto Marianne é uma jovem solitária e incompreendida, mas que tem uma família abastada. Contudo, quando ambos vão para a universidade, em Dublin, os papéis sociais alteram-se e Marianne passa a integrar um círculo social mais prestigiado, enquanto Connell enfrenta inseguranças e dificuldades de adaptação. Efetivamente, apesar destas diferenças, os dois desenvolvem uma ligação intensa, marcada por aproximações e afastamentos ao longo dos anos. Assim, o livro tornou-se uma referência para a literatura contemporânea pela forma subtil e realista como aborda certos temas, nomeadamente, o amor, a identidade, as desigualdades sociais e a dificuldade de comunicação entre indivíduos.
Primeiramente, é de salientar a forma perspicaz como é abordada a profundidade psicológica das personagens principais. Deste modo, Marianne e Connell são retratados como jovens complexos, com inseguranças e dificuldades de comunicação que influenciam as suas decisões e a evolução da sua relação. Por conseguinte, a autora leva o leitor a compreender as emoções e os conflitos internos que ambos vivem, o que contribui para um elevado grau de realismo na narrativa. Assim, um exemplo claro disto ocorre quando Connell, já na Universidade, enfrenta sentimentos de solidão e ansiedade depois de se afastar de Marianne e de perder um amigo. Nesse momento, Connell começa a frequentar sessões de psicoterapia, onde reflete sobre a sua dificuldade em expressar as emoções e sobre o impacto que a relação com Marianne teve na sua vida.
Seguidamente, a escritora Sally Rooney caracteriza-se pela simplicidade e naturalidade, sobretudo nos diálogos que refletem, de modo convincente, a maneira como os jovens comunicam entre si. Além disto, a autora aborda, de uma forma brilhante, questões relevantes para a sociedade, como a saúde mental, a pressão social e as diferenças de classes socais, aspetos que tornam difícil o estabelecimento de uma relação saudável entre as personagens. Deste modo, isto é evidente nas conversas de Connell e Marianne durante o período em que frequentam a escola secundária, onde muitas das suas interações são compostas por diálogos curtos e diretos, nos quais expressam sentimentos de forma contida, refletindo a dificuldade típica dos jovens em comunicar abertamente sobre emoções.
Neste sentido, a pintura de Réne Magritte, Os Amantes, é, de certa forma, uma síntese simbólica dos temas principais do livro, ou seja, ambas as obras sugerem que, mesmo nas relações mais íntimas, podem existir barreiras invisíveis que impedem uma verdadeira compreensão entre duas pessoas. De facto, na pintura, embora seja visível que as duas figuras se estão a beijar, os rostos estão cobertos por um pano, o que simboliza a impossibilidade de um verdadeiro contacto e de um conhecimento pleno do outro. Neste sentido, a pintura, ao demonstrar esta proximidade física e, simultaneamente, a separação emocional, aproxima-se do romance, uma vez que a relação entre Marianne e Connel é marcada por sentimentos profundos, mas também por inseguranças e dificuldades em expressar aquilo que realmente sentem.
Concluindo, Pessoas Normais é um romance marcante na literatura contemporânea, destacando-se pela análise sensível das emoções e das relações humanas. Deste modo, a obra de Sally Rooney oferece uma reflexão não só sobre a saúde mental e a pressão social, mas também sobre as inseguranças e as dificuldades de comunicação que Connell e Marianne têm e o modo como estas influenciam a relação deles. Adicionalmente, a pintura, Os Amantes demonstra visualmente a existência de um muro invisível que impede uma compreensão mútua, ou seja, de uma aproximação física, mas não tanto emocional. Claramente, este livro é uma excelente obra literária pelo que deveria ser lido por todos, pelo menos uma vez na vida.
Leonor Fernandes, 12.º H1





