1932 – Cartas de agradecimento – Festa do Onomástico

Referente ao ano de 1932, encontra-se depositado no arquivo histórico – Pe. Amador Anjos um conjunto de 132 cartas, todas identificadas e dirigidas ao Diretor das Oficinas de S. José (OSJ), Pe. Ângelo Semplici, no momento da sua festa onomástica. Apurámos, desta forma, este testemunho vivido nas OSJ há 94 anos. O Pe. Ângelo encontrava-se nas OSJ após a saída forçada imposta pela proclamação da república em 1910. Regressou a Portugal no ano anterior à festividade e à data das missivas acima mencionada e permaneceu como Diretor até 1935. Recordamos que o Pe. Semplici acompanhou, desde os primórdios da grandiosa ideia de edificação, criada de raiz, a construção do edifício centenário que domina atualmente todo o pátio das contemporâneas OSJ.

Linhas convergentes

Por Frederico Pimenta

Releitura dos documentos originais da história dos Salesianos em Portugal. Trabalho ímpar de tantos investigadores, com especial destaque para o Pe. Amador Anjos, historiador, conhecedor profundo e inspirador de dissertações e teses sobre a vida e obra dos Salesianos em Portugal.

1932 – Cartas de agradecimento – Festa do Onomástico

Referente ao ano de 1932, encontra-se depositado no arquivo histórico – Pe. Amador Anjos um conjunto de 132 cartas, todas identificadas e dirigidas ao Diretor das Oficinas de S. José (OSJ), Pe. Ângelo Semplici, no momento da sua festa onomástica. Apurámos, desta forma, este testemunho vivido nas OSJ há 94 anos. O Pe. Ângelo encontrava-se nas OSJ após a saída forçada imposta pela proclamação da república em 1910. Regressou a Portugal no ano anterior à festividade e à data das missivas acima mencionada e permaneceu como Diretor até 1935. Recordamos que o Pe. Semplici acompanhou, desde os primórdios da grandiosa ideia de edificação, criada de raiz, a construção do edifício centenário que domina atualmente todo o pátio das contemporâneas OSJ.

A festa indicada não se encontra documentada no Boletim Salesiano (BS) no ano indicado. Olhámos, por isso, para o ano antecedente e o subsequente à data de 1932.

Verificámos que, nesses anos de 1931 e 1933, não há, igualmente, nenhuma indicação sobre o acontecimento. Em números e anos diferentes, essa anotação é feita apresentando exaustivos programas do dia festivo em causa. Acresce que, nestes três anos de publicação do Boletim Salesiano, as notícias sobre Portugal e, em concreto, sobre as OSJ são escassas. Testemunha-se este aspeto, transcrevendo os títulos aventados na publicação do Órgão dos Cooperadores Salesianos deste triénio.

Ano de 1931:

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXVIII, N.º 1, Janeiro/Fevereiro, 1931.

 Sem notícias provenientes de Portugal.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXVIII, N.º 2, Março/Abril, 1931.

Oficinas de S. José – Lisboa. Festa da Imaculada Conceição.

Festa de S. Francisco de Sales.

Uma interessante festa infantil em benefício das Oficinas de S. José.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXVIII, N.º 3, Maio/Junho, 1931.

Porto – (Portugal). Oficina de S. José. Festa do Padroeiro.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXVIII, N.º 4, Julho/Agosto, 1931.

Sem notícias provenientes de Portugal.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXVIII, N.º 5, Setembro/Outubro, 1931.

Lisboa (Portugal). Nas Oficinas de S. José foi encerrado solenemente o ano lectivo.

Porto (Portugal). Solene homenagem ao Bem. D. Bosco. 

Festa de Maria Auxiliadora.

Evora (Portugal). No Oratorio Festivo de S. José.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXVIII, N.º 6, Novembro/Dezembro, 1931.

Barcelos (Portugal). Congresso Missionário Nacional.

Lisboa (Portugal). Os alunos de S. José visitam Setubal.

Festa dos Ex-alunos.

Ano de 1932:

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 1, Janeiro/Fevereiro, 1932.

Portugal. As Oficinas de S. José.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 2, Março/Abril, 1932.

Portugal. Poiares da Regua. – Festa da Imaculada Conceição.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 3, Maio/Junho, 1932.

A festa do Papa em Portugal.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 4, Julho/Agosto, 1932.

Lisboa. – A festa do Bemav. D. Bosco-

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 5, Setembro/Outubro, 1932.

Um grande Mestre da dignidade moral e devoção patriótica (sobre D. Manuel II)

Peregrinação Nacional Portuguesa ao Santuario de Fátima. 

Culto de Maria Auxiliadora e sua Festa Liturgica (nas OSJ).

Lisboa – Oficinas de S. José. Reunião anual dos ex-alunos.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 6, Novembro/Dezembro, 1932.

Macau – China. As Bodas de Prata do Orfanato da Imaculada Conceição.

Ano de 1933:

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXX, N.º 1, Janeiro/Fevereiro, 1933.

Sem notícias provenientes de Portugal.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 2, Março/Abril, 1933.

Lisboa (Portugal) – A festa em louvor da Imaculada Conceição, nas Oficinas de S. José. 

Poiares da Regoa (Portugal).

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 3, Maio/Junho, 1933.

Sem notícias provenientes de Portugal.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 4, Julho/Agosto, 1933.

Porto – Oficina de S. José.

Lisboa (Estoril) – Uma visita ao Asilo de Santo Antonio.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 5, Setembro/Outubro, 1933.

Lisboa – Oficinas S. José – A solenidade do Santo Patrono. 

Porto (Oficina de S. José), festa de Maria Auxiliadora.

  • Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXIX, N.º 6, Novembro/Dezembro, 1933.  

Sem notícias provenientes de Portugal.

Não se referenciam, como acima se destaca, quaisquer festas do onomástico como podemos anotar em outros anos na mesma publicação salesiana.

Todas as cartas apresentam a mesma estrutura: reconhecimento pela educação recebida e a promessa de melhoramentos nos comportamentos e aproveitamentos escolares. O encadernado que sustém estas missivas apresenta oito divisões sem prover qualquer nomeação.

A datação das cartas reparte-se da seguinte forma: 44 com a data de 1 de maio de 1932, 15 com a data de 3 de maio, 26 com a data de 4 de maio, 30 com a data de 2 de maio, 44 com a data de 5 de maio e 16 cartas sem indicação de data. Todas do ano de 1932.

Assomam desta observação, algumas ideias emanadas pelos alunos ao seu Diretor, as quais, pela sua espontaneidade e ternura, sobressaem do cômputo geral.

Tendo como destinatário o Pe. Ângelo Semplici, asseveraram os alunos:

01 – “Acabo pedindo ainda mais uma vez desculpa de todos os desgostos que lhe causei”.

02 – “(…) que já vai em um ano, que desempenha, três cargos dificílimos, de Director, o de Inspector, e o de Perfeito (…)”.

03 – (…) para lhe manifestar vivamente de quanto lhe estou grato pelos benefícios sem conta que ternamente me tem dado”.

04 – “(…) agradecer com estas humildes linhas o que tendes feito em prole da juventude portuguêsa, nas Casas salesianas de Portugal, e principalmente nestas queridas Oficinas de S. José(…)”.

05 – “Venho a V.ª Rev.cia com profundo reconhecimento de gratidão agradecer-vos todos os bens que me tendes feito e pelos tantos benefícios que me tendes acolhido nestas Oficinas tão benfazejas”.

06 – “Prometendo daqui para o futuro farei o possível para evitar tudo que não seja digno de um colegial de D. Bosco”.

O7 – “Humildemente peço-lhe que me perdoe todos os desgostos que eu lhe terei causado durante êstes sete mêses de vida colegial (…)”.

 08 – “Deste seu discípulo de Tipografo Compositor (…)”.

09 – “Após tanto tempo de ausência cá no nosso país V.Esª voltou outra vez para continuar a fazer o que a vinte anos atrás fazia. Foi V.Rev. um dos que mais trabalhou para a construção desta casa… compensado num grande edifício onde possa educar 500 ou 1.000 crianças”.

10 – “Vorrei saper dire parole molto belle per poter felicitarla in quello giorno cosi solenne, felicitarla quanto desideverelle il mio cuore grato (…)”.

11 – “Sinto esta pena de não me poder exprimir conforme meus desejos”.

12 – “(…) como é meu dever peço a Deus que o conserve ainda por largos anos em nossa companhia e fazendo o bem nesta casa”.

13 – “Reconheço que sou o aluno menos digno do vosso carinho e do bem que por mim tem feito”.

14 – “(…) para que esta santa casa possa ir avante (…)”.

 15 – “(…) trabalhar no meio da juventude, agora tão idolatrada”.

16 – “(…) trabalha muito por que ocupa dois cargos os mais elevados”.

17 – “(…) graças a Deus por nos ter mandado tão bom director (…)”.

18 – “(…) o grande carinho que me fêz em me receber no colégio(…)”.

19 – “Mas que fazer, eu não sou rico! E por isso não lhe posso oferecer nenhuma joia(…)”.

20 – “(…) poucas vezes vai ao recreio mas quando vai é uma delícia (…)”.

21 – “O Snr Director foi sempre para nós um modelo de paciência e benignidade”.

22 – “Sei que V. Ex.cia tem durante o ano feito o mais que pode por mim como todos os alunos, estando a trabalhar todos os dias, e às vezes de noite”.

23 – “(…) não quero jogar à pancada com os meus companheiros nem amandar com pedras”.

24 – Se êles ás vezes me dão um sopapo é para êu me emendar”.

25 – “Talvez eu chegue a ser também um saleziano. Deus queira que sim”.

26 – “Senhor padre Director eu não tenho nem ouro para retribuir-vos dos benefícios prestados (…)”.

27 – “(…) um pádrenosso já que não posso fazer outra coisa”.

28 – “(…) presenciando um espansoso espetáculo, pela brilhante acção que vai desempenhando nesta santa casa”.

29 – “Pedirei a Deus que lhe coseda saúde por muitos anos para trabalhar em prol dos pobres meninos”.

30 – “Ainda não possuo grande instrução para nesta carta significar e exprimir melhores palavras que o meu coração sente como prova de amizade e gratidão”.

31 – “Talvês vós não ficastes mal impressionado com o meu comportamento (…)”.

32 – “Sr.  P. Director, desculpe de eu ter fugido”.

33 – “O Senhor tem-se sacrificado por mim e eu sem fazer caso”.

34 – “Os professores quando precisam alguma coisa vão ao Director que é como o nosso pai (,..)”.

35 – “Quero tirar sempre 10 de comportamento”.

36 – “Peço desculpa de eu ter estragado tanta coisa; para o futuro hei-de poupar tudo”.

37 – “Tenho-me também comportado muito mal nas aulas, no refeitório, e apanhado más notas”.

38 – “Vós que tanto trabalhais para o nosso bem, estais sempre a melhorar a casa; mandando-a pintar; e sois vós quem arranja o dinheiro para pagar as dividas e os estragos feitos com a bola; e o comer que a gente toma; os livros onde a gente estuda as nossas liçõezinhas, que o professor passa”.

39 – “Procura-nos divertimentos: teatros, cinemas e bons passeios”.

40 – “Eu estou vendo que o Sr. Director trabalha muitíssimo e se sacrifica por nós (…)”.

41 – “Peço-lhe desculpa das minhas notas serem muito más, mas eu agora vou me comportar melhor”.

42 – “Eu quero-me dar melhor com os meus companheiros”.

43 – “Como teve a bondade de aturar-me até agora, amparando-me como um pai (…)”.

44 – “(…) Deus lhe dê mais saude e muita paciencia para comigo”.

45 – “(…) faço votos de aproveitar melhor dos seus ensinos e conselhos (…)”.

46 – “Todos preparam cartas a prometerem muitas cousas”.

Em conclusão, anota-se a forte amabilidade entre salesianos e alunos e verdadeiramente com o Pe. Semplici, como Diretor. Ainda o realce imperativo para a caligrafia aprumada da maioria destas cartas.

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