“A saudade é o azar de quem tem muita sorte” – 9.ºA

Há momentos na vida em que tudo parece ser interminável. Habituamo-nos às rotinas, aos horários. Cada dia parece ser igual ao anterior. Riscamos dias no calendário, contamos horas, minutos e segundos. Contudo, ao encontrarmo-nos aqui, percebemos que talvez estes três anos tenham afinal passado mais depressa do que gostaríamos.

Foi no dia 12 de setembro de 2023 que tudo começou. Entrámos no edifício que seria a nossa “segunda casa” durante três anos e, mesmo sem saber, conhecemos as pessoas que fariam parte desta pequena-grande família que somos. Foi aí que a grande viagem começou. Uma viagem que pode ser resumida em quatro palavras: desafio, conquista, mudança e transformação.

Podemos definir a nossa turma com várias palavras diferentes, mas há uma que sempre existiu: autenticidade. 30 alunos. 30 pessoas completamente diferentes que acabaram na mesma sala de aula. Somos teimosos, irrequietos e, às vezes, difíceis de controlar, mas também somos verdadeiros, audazes, alegres e espontâneos. Todos fazem falta, todos somos uma peça insubstituível. Há quem tenha uma presença mais discreta e passe mais despercebido. Há quem não tem medo de se impor e quem processa tudo em silêncio. Quem é mais descontraído e quem é uma pilha de nervos. Quem não sabe e quem ensina. Quem faz rir e quem se ri. Quem lidera e quem apoia. Mas todos somos e estamos presentes. Mesmo os que nos deixaram, mesmo os que se juntaram a nós mais tarde. E, acima de tudo, sabemos que podemos contar uns nos outros, porque há uma ponta de verdade e confiança que faz parte do nosso grupo e nos faz ser autênticos.

Durante estes anos, sempre houve momentos para tudo, mas são os mais pequenos e valiosos que fizeram a diferença: os “boa sorte” euforicamente trocados 30 segundos antes do teste começar, os intervalos antes e pós avaliações em que ensinávamos a matéria e percebíamos que se calhar não a sabíamos assim tão bem, as equipas de educação física que estavam sempre “injustas”, as coreografias para as Festas de Natal, os ensaios para os concertos e para os teatros, os lanches partilhados e os bolos de anos que nunca faltaram como desculpa para perder quinze minutos de aula e as constantes visitas da nossa DT à sala, que acreditávamos serem motivadas por saudade.

Claro que houve também os “grandes” momentos vividos em turma, como os concertos, os teatros, os projetos de cidadania com a turma B, os corta-matos, as visitas de estudo, as idas aos parques aquáticos, os Bons Dias e claro, a inesquecível viagem a Paris, em que descobrimos um outro lado de alunos e professores que nunca imaginámos. Tudo isto foram pequenas aventuras cujos detalhes serão guardados e relembrados apenas em nós.

E, de repente, três anos passaram. Olhando para trás, é impressionante perceber o quanto mudámos e evoluímos. Começámos miúdos de treze anos ingénuos, que não sabiam o que era Físico–Química, para alunos que vão ter de escolher uma área que será para uns um início de carreira, para outros um pequeno desvio. E, revivendo todo este caminho até aqui, percebemos que nem tudo foi “um mar de rosas”. Foi difícil? Claro que foi! Como o professor Rui Santos nos ensinou: se fosse fácil chamava-se futebol. Mas estamos todos aqui, vivos, de pé, e com memórias para a vida toda.

É verdade que ainda não acabou, ainda há muito a aprender e muito por onde crescer, mas o 3º ciclo deu-nos bases fundamentais para a nossa vida e moldou-nos em grande parte nas pessoas que somos hoje.

Chegámos então àquela parte que é quase “obrigatória” nestes discursos, mas verdadeiramente essencial: os agradecimentos. Segundo o dicionário, a definição geral de “professor” significa aquele que ensina e dá aulas numa escola, mas, se investigarem melhor, descobrem definições que defendem que professor pode também ser aquele que é tido como exemplo a seguir, aquele que ensina valores para além dos académicos. E temos o orgulho de poder declarar que todos os professores e educadores que nos acompanharam foram exatamente isso. Um porto seguro, um comentário honesto, uma palavra amiga, um modelo de referência. A todos, um grande obrigado!

Aos vigilantes Inês, Dona Carla e Senhor Jorge, cuja alegria nunca faltou. Aos funcionários e auxiliares sempre prontos para nos porem na linha. À Pastoral que trabalhou incansavelmente para nos ensinar os valores de Dom Bosco e nos mostrar Deus.
E agora, aos que chamamos professores: professoras Susana Araújo, Rita Cardoso, Susana Delgado e Anabela Jerónimo que tiveram uma enorme paciência para connosco; À professora Isabel Marques – foi uma alegria podermos fazer parte do seu último grupo de alunos. Aos professores André Morais e Rui Santos, cujo humor aparecia de forma inesperada e animava qualquer um; aos professores Pedro Moreira e Rui Dias. Manuel Menezes e Viviana Costa; Ao professor Diogo Gonçalves por nos mostrar o encanto de fazer música; À professora Inês Sobral; Ao professor Tiago Borges, nosso segundo diretor de turma ; Ao nosso anjo da guarda, professor Max, que olha por todos nós; À professora Cristina Fernandes, que tem uma presença discreta, mas é quem mantém tudo em movimento, e, por fim, à nossa âncora, pilar, alicerce – à nossa querida professora Sandra Catalão, que tomou conta de nós mesmo quando achávamos que não precisávamos, que nos levou ao colo e repreendeu quando necessário, que viu e soube tudo mesmo sem o mostrar e ajudou em parte na formação das pessoas que somos hoje.

“A saudade é o azar de quem tem muita sorte”. E nós tivemos sorte. Muita. Três anos cheios de pessoas, momentos e histórias. Agora fica a saudade — não como algo triste, mas como prova de que valeu a pena, porque só sente saudade quem realmente viveu.