Ana Branco Eiras
Novos começos são sempre difíceis. Novos ambientes, pessoas, corredores, hábitos, ritmos, entre outros, esbarram contra nós e nós temos de tentar não esbarrar contra eles. Tentamos respirar fundo, interiorizar um mantra, manifestar e ter esperança de que a nossa expressão não berre: Olhem! Estamos completamente perdidos! Novos começos são sempre fáceis. […]
Novos começos são sempre difíceis. Novos ambientes, pessoas, corredores, hábitos, ritmos, entre outros, esbarram contra nós e nós temos de tentar não esbarrar contra eles. Tentamos respirar fundo, interiorizar um mantra, manifestar e ter esperança de que a nossa expressão não berre: Olhem! Estamos completamente perdidos!
Novos começos são sempre fáceis. Novos ambientes, pessoas, corredores, hábitos, ritmos, entre outros, encontram-nos e nós podemos tentar encontrá-los de volta com a mesma energia. Não é preciso respirar fundo, uma nova cara que veio ter connosco assegurou-nos que está tudo bem. Não precisamos de aprender mantras, conhecemos um grupo que tem sempre a porta aberta para nós. O poder da manifestação não é necessário aqui, a disponibilidade é a serventia da casa. Não precisamos de controlar a nossa expressão, todos sabem o que é esbarrar.
E então se estivermos completamente perdidos? Como se diz: ninguém nasce ensinado. Curioso, ter de me forçar a lembrar-me deste dizer quando é um lema que levo p Susana Ramos ara qualquer sala de aula – se me esforço tanto para que os meus alunos pratiquem este pensamento, por que é que não o consigo fazer comigo mesma? Como também se diz: temos de dar tempo ao tempo. O ano letivo ainda nem acabou de começar, mas já sabemos algumas coisas, já decorámos algumas caras, já nos orientamos nos corredores, já estamos a entender ritmos, já nos apercebemos de alguns hábitos. Por isso, com o tempo, em vez de saltarmos ao pé-coxinho e de vez em quando descansarmos as pernas, iremos aprender a andar confiantemente lado a lado com aqueles que nos receberam calorosamente, nos guiaram pacientemente e nos responderam incessantemente.
Professores são figuras que transmitem certeza para os alunos dentro da sala de aula, mas fora dela também temos o privilégio de entrar numa sala e estarmos rodeados por outros que nos podem ajudar a encontrar o nosso eixo. Todos aqueles cuja função pode ser definida por “auxiliar o outro” não só o fazem por dever como também por vontade, e creio que são estas as peças mais cobiçadas em qualquer tabuleiro de xadrez. Para mim, novos começos podem ser difíceis, mas este foi decididamente facilitado.
Ana Branco Eiras | Professora




