João Pedro Pita
Neste domingo, a liturgia apresenta-nos o Evangelho das Bem-Aventuranças. Mais do que uma simples proposta de vida “bem-aventurada”, “abençoada” ou “feliz”, as Bem-Aventuranças revelam-nos o estilo de vida do próprio Jesus, ao qual somos chamados a viver como seus discípulos.
Os catequizandos do 7.º ano celebraram a sua festa da catequese dedicada às Bem-Aventuranças, refletindo sobre cada uma delas. É uma reflexão que vale a pena recordar, sobretudo num mundo onde tantas vozes nos indicam caminhos diferentes para a felicidade. Que saibamos escutar a voz de Jesus, que nos conduz à verdadeira felicidade, aqui na Terra e, sobretudo, no Céu.
Todos os dias ouvimos afirmar que o importante é ser rico, ser independente e não precisar de ninguém, e que com o dinheiro se pode comprar tudo.
Jesus ensina-nos que é feliz quem não vive preso aos bens materiais, quem sabe que todos precisamos uns dos outros e que há mais alegria em dar do que em receber.
– Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Vemo-nos rodeados por cartazes e publicações que mostram apenas pessoas felizes e cheias de sucesso.
Jesus ensina-nos que na vida teremos dificuldades, dores e tristezas e que é feliz quem se deixa tocar pela dor dos outros e tem compaixão.
– Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
No mundo de hoje muitos mostram os seus sucessos com vaidade e às vezes com sentimento de superioridade.
Jesus ensina-nos que é feliz quem é humilde, quem sabe controlar a raiva, a inveja ou o ciúme e não usa os outros para seu benefício.
– Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
No nosso dia a dia vemos pessoas pobres, sem nada, e outras a serem gozadas, excluídas ou tratadas de forma injusta.
Jesus ensina-nos que é feliz quem não fica indiferente e se preocupa com os outros construindo um mundo mais santo, justo e fraterno.
-Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Hoje vemos muitos a defender que se deve fazer justiça com as próprias mãos e que o perdão tem limites.
Jesus ensina-nos que é feliz quem sabe pedir perdão e tem coragem de perdoar os outros.
–Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Hoje muitos afirmam o mais importante é ter uma boa imagem, agradar aos outros e esconder a verdade quando convém.
Jesus ensina-nos que é feliz quem tem um olhar limpo, que vê todas as coisas com os olhos de Deus, sem maldade nem segundas intenções, vivendo com pureza e verdade.
– Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
No mundo de hoje faltam os construtores de paz. Muitos acreditam que é com conflito, vingança, violência ou até com intrigas que se vence na vida.
Jesus ensina-nos que é feliz quem vive em paz com os outros: na família e na escola e quem tem confiança no coração, mesmo no meio das dificuldades.
– Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Hoje muitos têm medo e vergonha de falar de Deus e pouca gente se interessa por viver a santidade. Muitos são gozados, postos de parte e até perseguidos.
Jesus ensina-nos que é feliz quem permanece fiel a Deus e não tem medo de viver a verdade, mesmo quando isso traz dificuldades.
– Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Hoje muitos dizem que o mais importante é aproveitar a vida, procurar o prazer e o conforto e fazer o que apetece como se tudo acabasse aqui na terra.
Jesus lembra-nos que a vida não é só aqui na terra. Quem permanece fiel a Deus não perde nada: ganha a verdadeira felicidade e a eternidade no Céu.
– Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal de vós. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos céus a vossa recompensa.
Seguir este caminho não é nada fácil, nem o mais natural ou intuitivo para nós, mas é nele que encontramos a verdadeira felicidade. Que o exemplo de Jesus e esta reflexão nos ajudem a viver cada dia segundo as Bem-Aventuranças, confiantes de que quem escolhe amar como Jesus nunca perde: ganha uma vida com sentido aqui na Terra, a alegria eterna no Céu e transforma o mundo num lugar mais santo, justo e fraterno.
João Pedro Pita | Pastoral




