Frederico Pimenta
A vida e obra da irmã Maria Mazzerello encontram-se espalhadas em inúmeras publicações, que, com maior ou menor grau de profundidade, nos mostram a riqueza da sua personalidade. Refazê-las nunca será demais, perpetuando no tempo e dando prossecução ao modelo de vida que esta jovem imortalizou.
Linhas convergentes
Releitura dos documentos originais da história dos Salesianos em Portugal. Trabalho ímpar de tantos investigadores, com especial destaque para o Pe. Amador Anjos, historiador, conhecedor profundo e inspirador de dissertações e teses sobre a vida e obra dos Salesianos em Portugal.
1881 – Maria Mazzarello
A vida e obra da irmã Maria Mazzerello encontram-se espalhadas em inúmeras publicações, que, com maior ou menor grau de profundidade, nos mostram a riqueza da sua personalidade. Refazê-las nunca será demais, perpetuando no tempo e dando prossecução ao modelo de vida que esta jovem imortalizou.
Não é o caso, imediato, destas linhas. Nelas, procuramos unicamente esquematizar a forma que o Bollettino Salesiano (BS) encontrou para noticiar o desaparecimento desta personalidade maior do mundo e em especial no mundo salesiano, e como modelizou as etapas mais significativas da sua vida.
Como é patente, numa rápida passagem de olhos sobre a publicação, existe uma ausência de documentação fotográfica justificada pela contemporaneidade com a invenção da fotografia, em 12 de 1826; somente em 1880 se fez a primeira publicação impressa no jornal Nova Iorquino Daily Graphic, A proximidade das datas indicadas foi sem dúvida uma justificação para tal ausência de conteúdo fotográfico. O BS de 1882 revela, destacado, o trabalho artesanal na utilização de gravuras em madeira. Até então as reproduções de imagens na imprensa eram raras e feitas de modo artesanal, utilizando a referida técnica de gravura em madeira. Apresentamos neste texto, a súmula usada para a homenagem efetivada nas páginas do Bollettino Salesiano (1) nos anos de 1881 e 1882, no que à Madre Mazzarello concerne..
Os momentos mais significativos da história dos Salesianos, e neste ponto das Filhas de Maria Mazzarello, as salesianas, excetuando os de carácter mais regional, no conjunto destes dois anos foram a morte de Maria Mazzarello, a visita do Padre Giovanni Cagliero a Portugal, o encontro desenvolvido então com o Padre Sebastião Leite de Vasconcelos, no Porto, e a conversa que este último manteve com D. Bosco, em Turim. (2) Destaco, neste momento, a data de 1940 e a importância que teve no país luso, a presença das Filhas de Maria Auxiliadora, em Évora, na Casa Pia Feminina e consequentemente em Portugal.
Apresentamos nos parágrafos seguintes, a súmula usada para a homenagem efetivada nas páginas do Bollettino Salesiano, nos anos de 1881 e 1882. O modelo seguido incluía-se nas redações habituais para estas descrições. Afirmamos, unicamente para epicentro cronológico, a data de fundação do Instituto das filhas de Maria Auxiliadora, em 1872. A apresentação do pensamento implícito a cada subtítulo aborda simplesmente a ideia geral dissecada pelo autor deste texto. A curiosidade sadia levará o leitor mais cuidadoso a aprofundar todo o sentido.
Transmite o texto todo a vivência da jovem Mazzarello e a força de Deus na sua formação.
Bollettino Salesiano, Anno V, Esce una volta al mese, N. 6, Giugno, 1881.
La Superiora Generale delle Suore di Maria Ausiliatric
Comunica-se o falecimento da Madre Mazzaello e, na alínea inicial do artigo informativo, faz-se a redação, elencando os aspetos positivos da sua vida e obra, remetendo para os vindouros números do Bollettino Salesiano, de então, o complemento desses conteúdos listados.
O desaparecimento de Madre Mazzarello registou-se no dia 14 de maio de 1881, com a idade de 44 anos: “(…) in Nizza Monferrato (…)”.
Traçou-se, na publicação intituladora, um breve quadro da sua buliçosa personalidade e o trabalho realizado com o desabrochar de novas fundações em diferentes espaços geográficos, com igual irrequietude. Recorda-se o início da viagem a França, onde a doença pulmonar se revelou. Salienta-se o seu papel de grande dinamismo apesar da sua pouca idade.
Dada a sua importância na civilidade de diferentes lugares por onde passou, e sendo a Superior Geral, o cronista avança com a promessa da publicação de novas colunas, sobre este assunto, impressas no BS.
Bollettino Salesiano, Anno V, Esce una volta al mese, N. 9, Settembre, 1881.
Suor Maria Mazzarello – Capo I – Fanciullezza.
Retoma-se a promessa feita no número do Bollettino Salesiano de junho e desenvolvem-se os elementos constantes na atual publicação. Nomeia-se, em primeiro lugar, a Irmâ Catterina Daghero, eleita em 12 de agosto de 1881, como a nova Superior das Filhas de Maria Auxiliadora.
Os factos iniciais da vida da Irmã Mazzarello nomeadamente a sua infância são abordados neste primeiro capítulo do esquema escolhido para a divulgação da biografia de Madre Mazzarello. “… abbiamo promesso di tesserne una breve biografia.” Abordou-se a sua origem no local de Mornese, a identificação dos seus pais e o terno ambiente que se vivia no âmbito familiar. Destaque para o bom exemplo encontrado na figura de seu pai que a marcou de forma inextinguível. “Il padre suo specilmente si prese ogni cura per formarne la mente e il cuore”. “O seu pai, sobretudo, tomou todos os cuidados para formar a sua mente e o seu coração, ( O BS coevo dele diz ser “… figlia di un padre così saggio”, (filha de um pai muito sábio).
O capítulo I, neste Bollettim Salesiano aborda o papel da juventude de Madre Mazzarello.
Bollettino Salesiano, Anno V, Esce una volta al mese, N. 10, Ottobre, 1881.
Suor Maria Mazzarello – Capo II – La Figlia dell’Immacolata.
Aborda-se a criação, em 1854, pelo Padre Domenico Pestarino, da “ (…) Congregazione delle Orsoline, Figllie dell’Immacolata (…)”. Foi então, nesta congregação, que Maria Mazzarello ingressou, quando tinha cerca de 17 anos com uma vontade estonteante de servir os outros. Sendo igualmente seu diretor espiritual o Padre Domenico Pestarino ajudou numa circunstância de saúde a sua convalescença.
Neste tempo cronológico surge um pico de demarcada doença ( febre tifoide ) que acometeu numa tia o que marcou a juventude e dominou o seu futuro. A sua preocupação dirigiu-se então para as jovens sem orientação. A perseverança mantida levou à criação de um espaço em tudo idêntico ao Oratório de D. Bosco.
A dinâmica de Maria Mazzarello depressa conduziu o espaço de Oratório a um espaço de alegria e essencialmente um caminho para Deus.
“ Il vedremo nel capo seguente”.
Bollettino Salesiano, Anno V, Esce una volta al mese, N. 12, Dicembre, 1881.
Suor Maria Mazzarelo – Capo III – La prima figlia di Maria Ausiliatrice.
Introduz o conceito de uma pequena comunidade direcionada para o amparo dos mais desvalidos. Nasce, assim, um grupo com a orientação do Padre Pestarino e simultaneamente o primeiro núcleo das Filhas de Maria Auxiliadora.
Os objetivos dessa associação, dirigiam-se para a formação dos mais pobres, tanto na Europa como na América do Sul e em especial na Patagónia.
Aponta-se, neste elenco, a data de 1862 como o momento em que D. Domenico Pestarino e D. Bosco se conheceram.
Em 1872, 5 de agosto, realiza-se a concretização da fundação das Figlie di Maria Ausiliatrice, sendo a primeira a Madre Maria Mazzarello. A clareza e o pormenor da descrição deste início do novo instituto foram vincados nas linhas desse BS, que igualmente mostra o percurso de extrema caridade que percorreu. Também a narração deste momento de criação das Filhas de Maria Auxiliadora se faz sentir na descrição das altas individualidades daquele tempo e é de grande riqueza histórica.
Destaque no texto do BS o momento de entrega total à sua missão e o afastamento inevitável da sua família genológica.
Bollettino Salesiano, Anno VI, Esce una volta al mese, N. 3, Marzo, 1882.
Suor Maria Mazzarelo – Capo IV – La prima Superiora Generale dell Figlie di Maria Ausiliatrice.
Indicações sobre o desenvolvimento das presenças das Filhas de Maria Auxiliadora, impulsionado pelo dinamismo de Madre Mazzarelo desde 5 de agosto de 1872, data da primeira Profissão das Filhas de Maria Auxiliadora e a data de 14 de junho de 1874, na escolha da primeira Superior Geral das Filhas de Maria Auxiliadora e a primeira casa em “Borgo S. Martino nella Diocesi di Casale Monferrato”.
Alude-se, ainda a um particular encontro entre D. Bosco e o Papa Pio IX sobre a criação de Um Instituto de religiosas, o que se enquadrava no pensamento do primeiro que depressa cativou as Filhas de Maria Auxiliadora. O desenvolvimento da Congregação foi extraordinário sob a sua orientação e as linhas do BS o confirmam ao elencar dos locais onde a presença desta Congregação se fazia sentir..
Bollettino Salesiano, Anno VI, Esce una volta al mese, N. 6, Giugno, 1882.
Suor Maria Mazzarello – Capo V ed ultimo – Sua mallatia e preziosa morte.
Enquadra-se neste momento escrito no BS as virtudes de Madre Mazzarelo e o consequente enriquecimento das Filhas de Maria Auxiliadora; alude-se ainda ao final da sua vida.
Ainda nele se dá conta da viagem encetada por Maria Mazzarello no sul da Europa, nomeadamente França e Itália e o confronto com a doença que a vitimaria. O trajecto até “… la Casa di Nizza Monferrato” na região do Piemonte, revelou-se penoso para a frágil convalescença alcançada nos espaços geográficos anteriores a esta chegada. No entanto conseguiu o seu desejo de morrer na Casa de Nizza.
Estes títulos, agora delineados, perpassaram, nesses momentos cronológicos contidos nas balizas de 1881 e 1882, os trilhos calcorreados por Maria Mazzarello deixando uma marca indelével como exemplo de vida. Os leitores, em especial os do mundo salesiano de então, observaram os contornos biográficos de tão eminente personalidade.
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- Bollettim Salesiano – 1881 e 1882.
- Anjos, Amador, Centenário da obra salesiana em Portugal – 1894-1994, Província Portuguesa da Sociedade Salesiana, Lisboa, 1995.




