Lugar de encontro

José Morais

“Se um dia nos voltarmos a ver, que seja de manhã. Será preciso um dia inteiro para me pores a par de ti” (Luísa Sobral)

Achei muito bonita e tocante esta ideia acerca de pessoas que se voltam a ver e que se desejam ouvir demoradamente. Que seja sempre de manhãzinha para quem precisa de um dia, de um ano, de uma vida inteira, ou do que vai para além dela. Lá mais para a frente, quando o cansaço desenhar o nosso rosto e tornar mais pesada a nossa mochila, poderá ser à tardinha, como escreveu Chul Han: “Sentávamo-nos lá fora – na minha lembrança era sempre à tardinha, quando fazia sol – e desfrutávamos do nosso cansaço comum, por palavras ou em silêncio.” 

Vivemos um período (mais um) de grande incerteza, fragmentação e conflitos. Tantos conflitos, meu Deus! Neste contexto, como sublinha Nóvoa, a escola deve ser protegida e valorizada como lugar de encontro entre pessoas diferentes. Um espaço e um tempo de liberdade, convivência e construção do bem comum.

A este lugar de encontro, todos os anos chegam pessoas novas, e novas pessoas. Mora em nós o desejo de que elas elas sintam o pulsar do coração da nossa escola, e conheçam o que nos move enquanto comunidade. Que nos sorrisos, nas palavras apressadas e nos silêncios demorados, vejam e oiçam a simples e poderosa mensagem do nosso fundador: que te sintas amado!

Tu não és professor, pois não? Eu gostava de ser professora, mas não quero dar aulas chatas. Quero ver árvores. Quero ir para o laboratório com os alunos. Quero que eles gostem de escrever, como eu. Acho que também vou aprender com eles, não achas? E depois posso ensinar melhor os outros alunos. Ah… e vou falar muito com alguns professores que não sabem dar aulas. Hummm… se calhar vou antes ser astronauta. Chego mais depressa ao céu. Ou achas que também posso chegar ao céu se for professora?

João Ruivo afirma que aquilo que escreve não é solução para nada, mas espera que seja inspiração para alguma coisa. É justamente o que sinto neste momento. Alguns pedagogos costumam falar orgulhosamente do conhecimento do “chão da escola”. Um pedagogo brasileiro, Severino António, ensina-nos que a escola não tem só chão mas também tem céu. Tem quotidiano e tem sonho, tem presente e futuro, tem o que se vê e o que se deseja.”

José Morais | Diretor Pedagógico