Olhando o ano de 1936: “Contribuí todos para a ampliação da Basílica de Maria Auxiliadora e para a erecção do Altar do nosso Santo”. O mundo salesiano acolhia as diretrizes do Superior Geral, o Padre Pedro Ricaldone, para o ano de 1936. A missiva então enviada e reproduzida no Boletim Salesiano (BS) desse ano dirigida aos Cooperadores e Cooperadoras de S. João Bosco reportava ainda, como habitualmente se redigia, as fundações das novas presenças realizadas pelos Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora no ano anterior, ou seja, 1935. Em Turim, procedia-se à ampliação da Basílica e do altar a D. Bosco. A lista de beneméritos que apoiaram estas iniciativas foi extensa e nela se incluíram inúmeras personalidades de Portugal.
Legenda da foto: Turim – Os trabalhos de demolição parcial da Basílica em setembro de 1935
Linhas convergentes
Por Frederico Pimenta
Releitura dos documentos originais da história dos Salesianos em Portugal. Trabalho ímpar de tantos investigadores, com especial destaque para o Pe. Amador Anjos, historiador, conhecedor profundo e inspirador de dissertações e teses sobre a vida e obra dos Salesianos em Portugal.
Olhando o ano de 1936: “Contribuí todos para a ampliação da Basílica de Maria Auxiliadora e para a erecção do Altar do nosso Santo”
Mencionando o encimado título deste texto, o mundo salesiano acolhia as diretrizes do Superior Geral, o Padre Pedro Ricaldone, para o ano de 1936. A missiva então enviada e reproduzida no Boletim Salesiano (BS) desse ano dirigida aos Cooperadores e Cooperadoras de S. João Bosco reportava ainda, como habitualmente se redigia, as fundações das novas presenças realizadas pelos Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora no ano anterior, ou seja, 1935. Em Turim, procedia-se à ampliação da Basílica e do altar a D. Bosco. A lista de beneméritos que apoiaram estas iniciativas foi extensa e nela se incluíram inúmeras personalidades de Portugal.
Parco nas notícias referentes a Portugal, incluídas no BS, esse ano apresentou, contudo, breves notas que importa fixar nesta leitura da presença salesiana, no que a Portugal se refere e em concreto ao espaço olissiponense. Aludia então o Superior Geral: “Contribui todos para a ampliação da Basílica de Maria Auxiliadora e para a erecção do Altar do nosso Santo”. (1) Estes trabalhos realizados em Turim apresentam-se registados, em documentação fotográfica de imenso valor histórico.
O BS dos primeiros dois meses do ano de 1936 reportava, na rubrica “Notícias de Aquem e Alem Mar”, (2) um acontecimento efetuado no “Estoril (Portugal). – Uma palestra catequística entre os alunos do Asilo de Santo António”. (3) A distância temporal desta realização, apesar de, por vezes, desligada da cronologia coeva, foi publicada de acordo com a data de 28 de julho de 1935, sendo Domingo. A sequência das atividades concretizadas incluiu “(…) o enceramento do ano lectivo com a respectiva distribuição de premios, e o primeiro certame catequistico”. (4) O cômputo geral foi considerado positivo, tendo como justificação para tal classificação “Tanto esforço e boa vontade tiveram a devida recompensa e um êxito feliz, à tarde, na mata do Colegio”. (5) A parte desportiva esteve a cargo de exímios ginastas. Ainda neste primeiro número do BS do ano de 1936, destacou-se a visita do embaixador de Portugal, Dr. João António Bianchi, à Califórnia. A duas colunas eleva-se o relato da visita intitulada “Oakland (California). – A visita do Embaixador de Portugal à Igreja Portuguesa de S. José.” (6) Ali, “(…) Com os padres salesianos, quis informar-se acerca do andamento material e religioso desta paróquia (…) “. (7) Neste enquadramento, faz-se referência à distinta figura do Padre Henrique Ferreira. Este nasceu em Braga, em 1881, trabalhou como secretário do Padre Miguel Rua e dirigiu o BS. Em Oakland, onde faleceu, em 1972, desenvolveu um dinâmico trabalho junto da comunidade lusa. (8)
Na segunda publicação do ano de 1936, surge, na indicação “Breves notícias”, destaque para as ordenações dos Padres Humberto Pascoal e Sebastião Salema, pertencentes, respetivamente, às comunidades do Asilo de Santo António do Estoril e Casa de Poiares da Régua: “Está de festas a Obra Salesiana de Portugal (…)”. (9) Na continuação, destaca-se a transcrição feita do «Diário de Lisboa» de 11 de dezembro de 1935, do artigo sobre “Lisboa (Portugal) – Como funcionam as Oficinas de S. José”. (10) Nele, encontra-se a observação feita nos diferentes locais da presença salesiana em Portugal: Lisboa, Porto, Évora, Estoril e Poiares da Régua.
Nos meses de maio e junho de 1936, o BS incluiu na rubrica das “Noticias de Aquem e Alem Mar” (11) o destaque para “Lisboa (Portugal). – Um acto inaugural nas Oficinas de S. José”. (12) No momento da festa de S. José, noticiou-se a inauguração do novo pavilhão de marcenaria, “Pedro Gomes da Silva”, a que já aludimos em escrito anterior. Noticiou-se ainda, sob este título, uma “Interessante récita da Associação dos ex-alunos de S. João Bosco”, (13) descrevendo-se os diferentes momentos desse encontro destinado a “(…) a recrear e educar os alunos (…)”. (14) Termina esta publicação com um olhar sobre os territórios de Macau: “Macau (China). – No orfanato salesiano. Um passo decisivo”. (15) O artigo traça o percurso do desenvolvimento da presença salesiana naquele território desde 1906, passando por 1915 e o dinamismo do Padre Luiz Versiglia, até à data de 1935. Deambula-se nestas linhas pelos “Seis lustros de trabalho na fundação salesiana desta vetusta colonia Portuguesa (…) “. (16)
Na publicação de julho e agosto de 1936, as informações iniciais incidiram sobre os títulos “Lisboa (Portugal) – Jocistas em festas nas Oficinas de S. José”, e “Lisboa (Portugal). – O 1º Congresso diocesano do Apostolado da Oração”. (17)
Na quinta publicação do ano, o BS referente a setembro e outubro de 1936 destaca-se, com artigo de página completa, as festas de Maria Auxiliadora e S. João Bosco. Ambos os festejos ocorreram nas Oficinas de S. José, sendo nota de realce o facto de ter juntado as comunidades de Lisboa e do Estoril. Além dos momentos religiosos, que incluíram a procissão com a imagem de Maria Auxiliadora, desfilaram os momentos musicais e “(…) belos números de ginástica executados pelos alunos do Estoril e os das Oficinas de S. José (…)”. (18) Esta publicação conclui com as notificações sobre a festa “(…) da Virgem SS. Auxiliadora, na igreja de S. José de Oakland, confiada aos PP. Salesianos (…)”. (19) Este acontecimento teve lugar no dia 10 de maio desse ano de 1936.
Na publicação derradeira deste ano de 1936, enquadram-se, logicamente, os meses de novembro e dezembro. Nela narra-se o momento festivo realizado no dia 26 de junho, no Asilo de Santo António no Estoril. Celebrou-se “(…) a festa de fim de ano escolar em honra de S. Luís, com certame catequístico e distribuição de premios”. (20) Como salientámos em parágrafo anterior, também nesta descrição surge referência à “(…) espaçosa mata de pinheiros da casa (…)”, (21) lugar de festejos da comunidade salesiana que durante algum tempo encheu destacados momentos da comunidade salesiana e cooperadores com ações de benfeitoria. Mudando de espaço geográfico, o BS descreve, igualmente, o papel dos benfeitores, no território de Macau, com o elenco de benfeitores que tornaram possível a edificação “(…) do novo edifício escolar do Orfanato Salesiano de Macau, construído no lugar onde autróra se erguia a famosa Casa chamada das dezasseis colunas”. (22) No termo desse momento da inauguração, o Diretor, Padre João Guarona, em sintonia com os traços políticos de então, afirmou: “(…) os Salesianos muito se honravam em poder oferecer mais uma escola à juventude desamparada da Colónia, contribuindo assim para tornar cada vez mais apreciado e conhecido o nome Português e cooperando também na evangelização das multidões chinesas”. (23) O BS transcreveu estas informações tendo como base o jornal A Voz de Macau, de 22 de julho de 1936.
O leque de realizações e atividades dos Salesianos não se esgotam, como é evidente, neste pequeno sumário. Estes marcos históricos aqui trazidos formaram ontem e continuam hoje o grandioso puzzle da presença salesiana em Portugal.
- Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXXIII, Número 1, Janeiro/Fevereiro, 1936.
- Ibidem.
- Ibid.
- Ibid.
- Ibid.
- Ibid.
- Ibid.
- Anjos, Amador, Centenário da obra salesiana em Portugal – 1894-1994, Província Portuguesa da Sociedade Salesiana, Lisboa, 1995.
- Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXXIII, Número 2, Março/Abril, 1936.
- Ibidem.
- Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXXIII, Número 3, Maio/Junho, 1936.
- Ibidem.
- Ibid.
- Ibid.
- Ibid.
- Ibid.
- Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXXIII, Número 4, Julho/Agosto, 1936.
- Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXXIII, Número 5, Setembro/Outubro, 1936.
- Ibidem.
- Boletim Salesiano – Órgão dos Cooperadores Salesianos, Ano XXXIII, Número 6, Novembro/Dezembro, 1936.
- Ibidem.
- Ibid.
- Ibid.





