João Carvalho
O livro, O Retrato de Dorian Gray, escrito por Oscar Wilde e publicado em 1890, é considerado um clássico da literatura inglesa e aborda temas como a beleza, a juventude, a moralidade e a influência que outras pessoas podem ter nas escolhas de alguém. A história também levanta uma questão importante: até que ponto a obsessão pela aparência e pela juventude pode mudar quem a pessoa é realmente?
O romance centra-se em Dorian Gray, um jovem muito bonito que se torna amigo do pintor Basil Hallward. Basil fica fascinado pela beleza de Dorian e decide pintar um retrato dele. Quando Dorian vê o retrato terminado, percebe que um dia irá envelhecer enquanto a pintura continuará jovem. Nesse momento, ele deseja que aconteça o contrário: que o retrato envelheça no seu lugar para que ele possa permanecer jovem para sempre. De forma misteriosa, esse desejo torna-se realidade. Ao longo do tempo, Dorian passa a viver uma vida cheia de excessos e comportamentos imorais, muito influenciado pelas ideias hedonistas de Lord Henry, que defende que o mais importante é aproveitar todos os prazeres da vida, no entanto, enquanto Dorian continua jovem e bonito por fora, o retrato começa a mudar. Na verdade, a pintura torna-se cada vez mais feia e deformada, refletindo os pecados e a degradação moral de Dorian. No final da história, incapaz de suportar aquilo em que se tornou, Dorian tenta destruir o retrato, mas acaba por provocar a sua própria morte.
Em primeiro lugar, um dos aspetos mais interessantes do livro é a forma como Oscar Wilde mostra a transformação psicológica da personagem principal. No início, Dorian parece inocente e influenciável, mas, ao longo da história, torna-se cada vez mais egoísta e cruel. Isto mostra como a influência das pessoas à nossa volta e as nossas próprias escolhas podem mudar completamente quem somos. Neste sentido, o livro leva o leitor a refletir sobre a importância dos valores e da responsabilidade de cada indivíduo pelas suas ações.
Em segundo lugar, outro aspeto muito importante da obra é a crítica à obsessão pela beleza e pela juventude. Mesmo sendo um livro escrito no século XIX, esta crítica continua bastante atual. De facto, atualmente, muitas pessoas ainda valorizam demasiado a aparência e a imagem exterior, muitas vezes influenciadas pelas redes sociais ou pelos padrões de beleza.
A história de Dorian Gray mostra que viver apenas para a aparência pode levar à perda da identidade e dos valores. Assim sendo, este livro pode ser relacionado com a pintura Narciso, do pintor Caravaggio, uma vez que esta representa o mito grego de Narciso, um jovem que se apaixona pela própria imagem refletida na água. Tal como Narciso, Dorian Gray torna-se obcecado pela sua própria beleza e pela ideia de permanecer eternamente jovem, assim essa obsessão faz com que ele ignore as consequências das suas ações. Deste modo, tanto a pintura como o livro mostram o perigo da vaidade e da obsessão pela aparência, que acabam por levar à autodestruição da personagem.
Em suma, O Retrato de Dorian Gray é uma obra que faz refletir sobre a importância da moralidade, das escolhas e dos valores humanos, enquanto mostra que a aparência exterior não representa necessariamente o que a pessoa é por dentro. Além disso, a relação com a pintura Narciso ajuda a compreender melhor o tema da vaidade e da obsessão pela própria imagem. É, portanto, um livro que se mantém intemporal, pois aborda questões que continuam presentes na sociedade atual.
João Carvalho, 12.º T4





